Nando Reis
   
 
 
A
         RELEASE 

                    

D.R.e.S.

Não acho que discos precisem de explicação. Discos a gente simplesmente ouve. E gosta; ou não.
No entanto, desde que comecei a fazer esse disco, muitas das pessoas que foram ouvindo sempre exclamaram, “nossa, que disco rock’n’roll!!”
Além de surpreendente a reação me parece significativa. Talvez o fato d’eu tocar violão, d’Os Infernais serem uma banda com a presença constante e central do violão, cause essa impressão de que o que fazemos não seja rock’n’roll. Violão no Brasil é sinônimo de MPB.
Na verdade, pouco importa o nome, o gênero, nada disso. Sempre fiz música, e pelo fato de ser brasileiro, sempre fiz música brasileira. E pelo fato de não ser erudito e ter sempre sido e tido vocação popular, acho mesmo é que faço música popular brasileira.
Na minha casa sempre se ouviu música, todo mundo sempre comprou discos. Minha mãe dava aula de violão e meu pai era engenheiro. Meu irmão mais velho Carlito gostava de Rolling Stones e Beatles e minha irmã Quilha, do Gil e do Caetano. Nessa onda, muito cedo eu já curtia Led Zeppelin e Novos Baianos. Misty Moutain Hop e Tinindo Trincando sempre me tocaram da mesma maneira. A não ser pelo fato d’eu não entender bem inglês, coisa que continuo não entendendo direito até hoje.
Mas de quem eu era fã mesmo era do Alice Cooper. Isso em 72, quando eu tinha 9 anos.
De lá pra cá muita coisa mudou, mas outras continuaram quase as mesmas. Tem música que eu poderia ouvir todo dia. Sou melhor re-ouvinte do que apreciador de lançamento.
Junto com amigos de colégio, montamos uma banda, na qual eu fiquei 20 anos: os Titãs. Nessas duas décadas fiz parte da juventude promissora que “criou o rock no Brasil” e depois do grupo “de dinossauros ou palhaços desdentados” que destratou o mesmo. Tudo besteira. Ninguém cria nada a não ser seu próprio destino. De dinossauro talvez eu tenha apenas a cabeça.
Sempre tive o sonho de ter uma banda, de subir no palco. Depois que sai dos Titãs, montei Os Infernais para poder continuar tocando com a mesma cumplicidade que sempre me deixou alegre e confiante. E foi com eles que fiz todos os meus discos até chegar nesse, o mais recente, DRÊS.
Esse disco é diferente dos outros porque ele é mais nosso, fizemos juntos. Revela mais o que somos, o que fazemos, o que gostamos, o que tocamos. Principalmente porque foi produzido por mim e pelo Pontual, o guitarrista da banda. Mas ainda assim, ele é de todos nós, porque ali dentro cada um produz um pouco o que é o outro. O Cambraia, por exemplo, muitas vezes me fez entender melhor quem eu sou, nas inúmeras noites que passamos conversando num quarto de hotel.  O Alex conheci em Seattle, no Crocodile, quando tocava no Maktub. Corajosamente veio pro Brasil em 2000 e está aqui até hoje. Diogo é o caçula. Entrou na turnê do MTV ao vivo. E nunca mais precisei olhar pra trás. Mas pra saber mesmo tirar o som, tinha que ser o Pontual. E agora pra mim, tá tudo pronto. É só subir de novo no palco.
Rock’n’roll pra mim é isso: uma banda. E isso eu sempre fui. E serei. Gosto de tocar com banda. Gosto de andar em bando. Mesmo sozinho.
E só pra terminar, uma coisa sobre o nome, que eu não tinha nem sacado. A ordem dos fatores, realmente não altera o produto. Tanto pode ser Sexo, Drogas e Rock’n’roll, quanto Drogas, Rock’n’roll E Sexo. Dá no mesmo.

Isso também é DRÊS.

Nando Reis